quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pedras

E lá estava eu, ajoelhado na grama verde, diante de todas aquelas pessoas. Nenhuma podia me ver.
Eram pedras em toda parte, na verdade. Era tudo o que eu podia ver. Pedras quebradas, pedras partidas, pedras choradas, pedras deprimidas. Via rosas querendo nascer das profundezas de algumas, mas logo morriam por falta de amor, falta de cuidados apropriados. No fim eram só pedras. Mas cada pedra ocupava seu espaço, e por isso, existia. Ali estava.
E lá estava eu, ou será que não?
Não era visto, era passado à frente. Todas as pedras partiam. Outras vinham ocupar seu lugar e logo a grama foi ficando velha, rasa. Logo não me senti mais confortável em ali ficar. Percebi que eu nunca tinha sido uma pedra. Eu não queria ser uma pedra. Eu era pequeno demais, nem notado conseguia ser.

Quando ao meu lar retornei, vi-me logo correndo até ao espelho. Meu deus, que susto. Sou mesmo uma pedra. E uma pedra comum. Uma pedra pequena e talvez insignificante.
Passei meses deitado, "pedregando" pra lá e pra cá, até aceitar os fatos.
Pois bem, viverei minha vida de pedra na esperança de, algum dia, encontrar um diamante.

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